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sexta-feira, 24 de julho de 2015

Mata-se o espírito, vende-se o cadáver.

Foto do mítico terrão do Parque São Jorge.


O futebol morreu e os assassinos lucram vendendo o seu cadáver. No Palmeiras o tradicional Estádio Palestra Itália, também conhecido como Parque Antártica foi demolido para dar espaço a mais uma dessas tais Arenas plastificadas. Após sepultar seu estádio, uma lei foi aprovada pela Câmara de São Paulo para fazer uma suposta homenagem ao estádio demolido e assim trocaria o nome da Rua Turissú local que abrigava o antigo estádio para Rua Palestra Itália. As placas com o nome da nova rua foram inauguradas em cerimonia no dia 12/06/2015 que contou com a presença de dirigentes do Palmeiras e representantes da Câmara Municipal.  Matou-se o estádio, vendeu-se a homenagem póstuma.

O Corinthians não está querendo ficar atrás nesse jogo e deve estrear uma terceira camisa na cor laranja. A cor seria uma homenagem ao tão famoso Terrão, o campo de terra batido no qual eram feitas as peneiras do clube e que revelou figuras muito importantes para a história do Alvinegro de Parque São Jorge. A última peneira no Terrão aconteceu no dia 3/10/2008. Pouco depois o clube acabaria por mata-lo substituindo a terra por grama sintética - Não por acaso alguns meses depois seria anunciada a infame contratação daquele que foi peça fundamental na morte do futebol, aquele rato de laboratório, o primeiro protótipo moderno de jogador que alguns oportunistas midiáticos tidos como especialistas insistem em chamar de “fenômeno”.
De novo temos o mesmo caso, matou-se o Terrão e agora vendem sua homenagem póstuma.
Na verdade isso não está acontecendo apenas nesses dois casos explícitos dos rivais paulistas e sim com o futebol como um todo. Mataram o futebol e hoje o que vendem sequer pode ser chamado de homenagem póstuma. É outra coisa, outro estado de espírito. Isso que vemos hoje é outro jogo dentro e fora de campo. Com areninhas plastificadas e padronizadas no lugar de estádios, com uma legião de consumidores ocupando o lugar dos torcedores, com bailarinos e atores muuuuito bem pagos para representar os jogadores e etc...

Não há solução, o futebol moderno é na verdade o futebol de 1880 praticado hoje em dia. Um gigante retrocesso, é nada mais que a reação dos donos do poder. Assim como era em 1880, hoje o que chamam de futebol é um espetáculo para saciar o entretenimento das elites, um jogo cheio de não me toques, sem contatos, sem entrega, sem alma e ao mesmo tempo sem refinamento técnico. É claro que é preciso sempre ter em conta que os parâmetros de época são muito distintos. Pelos idos do século XIX e começo do século XX os jogadores usavam materiais de baixíssima qualidade, roupas de algodão que pesavam muito (sobretudo quando chovia), bolas de capotão duríssimas e que acumulavam terra e água. Campos que para o padrão estético fresco de hoje em dia mais seria assemelhado a um lamaçal. E é claro, todas as ações dos jogadores eram feitas no intuito de aprimorar o jogo, não pura e simplesmente ações de marketing bem planejadas por CEO’s e demais pessoas que dão rotação ao corporativismo que tomou conta do esporte.

Ou começamos a lutar como a massa fez pela segunda década do século XX no Brasil, buscando fundar os clubes que representariam a classe operária no esporte e mais a frente penetrando até mesmo os ditos clubes das elites ou então boicotamos de vez esse simulacro que é vendido engarrafado com o rótulo de futebol. Ou lutemos para reconstruir de volta o futebol ou paramos de brincar que as coisas não estão bem mais que o jogo ainda respira por aparelhos.


Fútbol o muerte!