Caleidoscópico
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
4 de Novembro ao Comandante Marighella, SEMPRE!
"À Comissão Executiva
Prezados Camaradas:
Escrevo-lhes para pedir demissão da atual Executiva.
Os contrastes de nossas posições políticas e ideológicas é demasiado grande e existe entre nós uma situação insustentável.
Na vida de um combatente, é preferível renunciar a um convívio formal a ter de ficar em choque com a própria consciência.
Nada tenho a opor aos camaradas pessoalmente.
No trabalho sob o título "Luta interna e dialética", publicado na Tribuna de Debate e em um folheto, procurei tornar clara a idéia que tenho sobre a necessidade do tom pessoal na luta interna.
Na verdade, nenhuma pessoa por si só está em condições de determinar a marcha da história, coisa que compete, sem nenhuma dúvida e antes de mais nada às massas trabalhadoras.
O que torna ineficaz a executiva é a sua falta de mobilidade, é não exercer o comando efetivo e direto do Partido nas empresas fundamentais do país, é não ter atuação direta entre os camponeses.
O centro de gravidade do trabalho executivo repousa em fazer reuniões, redigir notas políticas e elaborar informes. Não há assim ação planejada, a atividade não gira em torno da luta. Nos momentos excepcionais, o Partido inevitavelmente estará sem condutos para mover-se, não ouvirá a voz do comando, como já aconteceu em face da renúncia de Jânio e da deposição de Goulart.
Solicitando demissão da atual Executiva — como o faço aqui —, desejo tornar público que minha disposição é lutar revolucionariamente junto com as massas e jamais ficar à espera das regras do jogo político burocrático e convencional que impera na liderança.
1. A Circulação da Idéias
Uma das questões em que a Executiva se mostra temerosa e conservadora é quanto ao aparecimento de livros e à circulação de idéias.
Acerca de um ano e meio publiquei o livro Por que resisti à prisão.
A experiência das lideranças passadas em matéria de lançamento de livros não é boa. As direções executivas dificultavam ou impediam tal coisa por meio de subterfúgios, retendo originais ou exercendo a censura prévia.
Os camaradas da Executiva atual reclamam, entretanto, que só a posteriori tomaram conhecimento do livro mencionado.
Mesmo assim não o discutiram; sobre ele não emitiram nenhuma opinião, apesar de interpelados por militantes e outros dirigentes.
Agora, passado mais de um ano, os companheiros fazem autocrítica pela omissão e opinam sobre o livro, considerando boa a primeira parte (que faz o relato da prisão). Não concordam, porém, com a segunda parte (que expõe os assuntos ideológicos e políticos), porque esta — segundo pensam — é contra a atual linha do Partido.
Parece estranho condenar uma parte do livro e não condenar igualmente a outra.
As duas partes são indivisíveis. Uma é decorrência da outra. Há uma interação entre elas, uma relação de causa e efeito. A resistência à prisão não teria havido se os motivos políticos expostos no livro não a justificassem.
Os companheiros, porém, não atentam para essa evidência. Entram pelo terreno da abstração e do agnosticismo kantista e separam coisas inseparáveis.
E vão mais além, sustentando a tese de que um membro da liderança não pode escrever, publicamente, discordando.
A tese é stalinista, mas aí a temos de volta.
Ora, a discordância nunca é um fato repentino, mas o amadurecimento de um processo contraditório, facilitado sempre que se abre o debate, sobretudo quando o último foi travado seis anos atrás.
E é exatamente neste momento — com os debates abertos — que os companheiros afirmam a impossibilidade da discordância pública.
Recai-se, assim, na "teoria da unanimidade", que tanto prejuízo trouxe no passado. Volta-se a concepção antimarxista e anti-dialética do "núcleo dirigente" monolítico superposto ao coletivo. Em suma, trata-se de uma tentativa de intimidação ideológica, o recurso a uma forma de coação para evitar a circulação de idéias que são temidas.
Entretanto, revelar as contradições é uma forma e até mesmo um método para superá-las, desde quando as idéias entram em confronto uma com as outras e a prática é tomada como critério para testar a verdade.
2. De Onde Vem a Discordância
Nossas discordâncias não são de agora. Vêm de muito antes. Cresceram a partir dos acontecimentos subseqüentes à renúncia de Jânio, quando o nosso despreparo político e ideológico ficou demonstrado.
Em 1962, perante o coletivo do Partido, critiquei os métodos não marxistas, os remanescentes do individualismo na direção e a falta de tomada de posição ideológica em face do nosso despreparo.
O golpe de abril — vitorioso sem nenhuma resistência — mostrou mais uma vez que política e sobretudo ideologicamente estávamos mesmo despreparados.
A resistência à prisão e o livro que tratou do assunto significavam aquela tomada de posição ideológica em face do despreparo e da perplexidade geral.
O despreparo ideológico e político da Executiva — segundo penso — revela-se em suas concepções, já agora postas em dúvida por muitos militantes.
São concepções imbuídas de fatalismo histórico de que a burguesia é a força dirigente da revolução brasileira. A Executiva subordina a tática do proletariado à burguesia, abandona as posições de classe do proletariado. Com isso perde a iniciativa, fica à espera dos acontecimentos.
O livro que publiquei sob o título A crise brasileira (ensaios políticos) é exatamente uma contribuição ao debate aberto em torno das posições da liderança, posições que venho combatendo publicamente, amparado no princípio da livre discussão.
Não vejo mal em combater tais posições, pois o que todos desejamos é uma Executiva em condições de ir para a ação e manejar o método dialético-materialista.
3. As Ilusões de Classe
As ilusões da Executiva — perdoem-me os companheiros — permanecem intactas. Daí porque a vimos refletidas nas ilusões de uma boa parte dos dirigentes e militantes que acreditavam em líderes burgueses, como Juscelino, Jânio, Adhemar, Amauri Kruel, Justino Alves e outros, e tinha esperança na resistência que prometiam fazer contra a ditadura. O episódio da cassação de Adhemar não foi, porém, a última decepção.
Temos agora o caso da "frente ampla". A Executiva manifestou-se com inequívocas simpatias pela "frente ampla", renunciando a criticá-la e a esclarecer às massas sobre o seu significado.
Lacerda — líder fascista — quer fazer seu próprio partido, exibindo-se como popular e reformista.
A Executiva acha tudo isto um "fato político positivo" ("A Voz Operária", n.22, nov. 1966), admitindo que a "frente ampla" venha a ter a capacidade de lutar contra a ditadura, pelas liberdades e os interesses reais do povo brasileiro.
A jogada de Lacerda é abrir novos caminhos para servir ao imperialismo norte-americano e evitar a liberação nacional de nosso povo. Lacerda é incapaz — por sua situação de classe — de lutar realmente pelo povo, contra o latifúndio e o monopólio da propriedade privada da terra, em favor dos camponeses e em favor da classe operária. O que Lacerda pretende — segundo se deduz dos fatos — é a colaboração de classes, é a conciliação que leva ao apoio a Costa e Silva.
A Executiva silencia sobre isto, ajuda a semear ilusões.
As ilusões são justificadas em nome da propalada política ampla, em nome do combate ao sectarismo e ao esquerdismo, enquanto se despreza a luta em favor da ideologia do proletariado. Esquece-se o papel do partido marxista, da sua independência de classe e cai-se no reboquismo ante a burguesia.
Em vez de combater as ilusões, apressou-se a Executiva a combater o revanchismo, adotando uma posição burguesa como se não devêssemos ajustar contas com a ditadura à maneira proletária, ou seus crimes e chamar seus autores à responsabilidade. Como se não devêssemos apostar ao proletariado os criminosos golpistas, denunciar "à maneira plebéia", segundo diria Marx em seu tempo.
4. Caminho Eleitoral ou Caminho Armado
A Executiva ainda pensa em infligir à ditadura derrotas eleitorais capazes de debilitá-la. E dá grande importância ao MDB, apontado como capaz de permitir aglutinação de amplas forças contra a ditadura. Ou então apoia a "frente ampla" do Lacerda.
Não é isto querer desfazer-se da ditadura suavemente, sem ofender os golpistas, unindo gregos e troianos?
Em vez de uma tática e estratégia revolucionárias, tudo é reduzido aberta ou veladamente — a uma impossível e inaceitável saída pacífica, a uma ilusória redemocratização (imprópria até no termo).
Parece não se ter compreendido Lenin, quando em "Duas táticas" afirma que:
"os grandes problemas da vida dos povos se resolvem somente pela força".
Em outra parte, falando sobre a vitória, acrescenta Lenin que esta:
"deverá apoiar-se inevitavelmente na força armada das massas, na insurreição",
e não em tais ou quais instituições criadas "por via legal" e "pacífica".
Depois de tanto se ter falado que a violência das classes dominantes se responderia com a violência das massas, nada foi feito para que as palavras coincidissem com os atos. Esquece-se o prometido e continua-se a pregar o pacifismo.
Falta o impulso revolucionário, a consciência revolucionária, que é gerada pela luta.
A saída do Brasil — a experiência atual está mostrando — só pode ser a luta armada, o caminho revolucionário, a preparação da insurreição armada do povo, com todas as conseqüências e implicações que daí resultarem.
É verdade que nossa influência, a dos social-democratas (quer dizer, a dos comunistas), sobre a massa do proletariado ainda é muito insuficiente; a dispersão, a falta de desenvolvimento, a ignorância do proletariado e sobretudo dos camponeses, ainda são [texto truncado no livro] velocidade. Cada passo dado no seu desenvolvimento desperta terrivelmente enorme.
A revolução, porém, aglutina as forças com rapidez e as instrui com a mesma massa e as atrai com uma força irresistível para o programa revolucionário, o único que exprime de modo conseguinte e concreto os seus verdadeiros interesses, e seus interesses vitais.
Há no Brasil forças revolucionárias internas capazes de resistir à ditadura e ir à luta. E é verdade que o pensamento leninista brota por toda a parte onde o proletariado faz sentir sua influência.
5. Razões Irreversíveis
A questão mais importante, a fundamental, é a questão do poder. Os revolucionários no Brasil não podem propor a uma outra coisa senão a tomada do poder, juntamente com as massas. Não há porque lutar para entregar o poder à burguesia, para que seja construído um governo sob a hegemonia da burguesia. Foi o que se pretendeu com o governo nacionalista e democrático. E o que se pretende agora, propondo-se a conquista de um "governo mais ou menos avançado", eufemismo que traduz a esperança num governo sob hegemonia burguesa, fadado a não resolver os problemas do povo.
Isto não significa a renúncia à luta pelo poder através da ação revolucionária, a confiança no caminho pacífico e eleitoral, a capitulação ante a burguesia.
A Constituição fascista, autoritária, que elimina o monopólio estatal, que sustenta a atual estrutura agrária retrógrada, que assegura a total entrega do país aos Estados Unidos, que reduz o Parlamento e a justiça a instrumentos dóceis do Poder Executivo, tal Constituição não permitirá nenhum governo democrático por via eleitoral.
É preciso pôr abaixo tal Constituição, derrubar a ditadura, estabelecer um governo apoiado em outra base econômica, em outra estrutura. Fora disso, é permanecer mais dez, vinte anos fazendo acordos eleitorais e ajudando as classes dominantes e o imperialismo norte-americano a manter o Brasil como uma ditadura institucionalizada, a serviço da repressão ao movimento de libertação dos povos latino-americanos.
A conclusão não pode ser diferente, sobretudo em face de vinte anos de acordos eleitorais feitos no passado, acordos eleitorais sem princípios, que nos desacreditaram e desgastaram ante as massas.
São tentativas inviáveis, prática e teoricamente, pois a época das revoluções democráticas e liberais já está ultrapassada.
Temeroso da Revolução Cubana, o imperialismo norte-americano, agora, apoiado nas forças armadas convencionais latino-americanas, não vacila em desencadear os golpes militares, ao menor sinal de um avanço no caminho da libertação dos povos de nosso continente. E nem mesmo desiste ou recua do emprego da guerra de agressão mais brutal, como no Vietnã.
A luta pelas reformas de base não é possível pacificamente, a não ser através da tomada do poder por via revolucionária e com a conseqüente modificação da estrutura militar que serve às classes dominantes.
O abandono do caminho revolucionário leva à perda de confiança no proletariado, transformado, daí então, em auxiliar da burguesia, enquanto o partido marxista passa a ser apêndice de outros partidos burgueses.
A subordinação e a perplexidade ante a burguesia e sua liderança impelem ao menosprezo do campesinato na revolução brasileira.
Daí a causa porque o trabalho no campo jamais constitui atividade prioritária, chocando-se os esforços nesse sentido com a indiferença e a má vontade da Executiva.
Entretanto, o camponês é o fiel da balança da revolução brasileira, e sem ele o proletariado terá que gravitar na órbita da burguesia, como acontece entre nós, na mais flagrante negação do marxismo.
Sem o camponês, o Partido não fará outra coisa senão acordos políticos e acordos eleitorais de cúpulas, para não falar em barganhas.
São razões que não podem deixar de contribuir para o meu pedido de demissão, tornando-se impossível aceitar qualquer conciliação ideológica.
6. O Problema de São Paulo
A Executiva — segundo me parece — subestima o Partido nas empresas, não ajuda a construí-lo aí, com uma firmeza inabalável.
Quem pensa em fazer a revolução tem que se apoiar nas empresas e na classe operária. No Brasil, tem que se apoiar em São Paulo, a concentração operária fundamental e decisiva no país.
Entretanto, a situação do Partido em São Paulo é desastrosa, afastado como está das empresas e atingido pelas influências ideológicas da burguesia.
A Executiva assistiu indiferente ao declive do Partido em São Paulo. Não obstante, inquietou-se e deu sinal de contrariedade quando — sem ser levada em conta sua opinião — os militantes de São Paulo elegeram para a direção estadual um dos membros da Executiva e outro dirigente nacional.
Tentando rechaçar a iniciativa dos militantes, a Executiva invocou uma resolução inexistente, proibindo qualquer de seus membros de pertencer a uma direção estadual; o que seria transformar a Executiva numa espécie de torre de marfim sem atuação direta junto às bases da empresa ou do campo. Inconformados, os militantes de São Paulo já haviam afastado da direção estadual todos os quadros para ela designados pela Executiva, e que não haviam correspondido. Tanto mais quanto o Partido enveredara pelo reboquismo à burguesia, tendo sido permitido em suas fileiras forte penetração e influência da ideologia burguesa, particularmente do janismo e do adhemarismo.
Campeavam, então, em São Paulo, as teses da burguesia, sintetizadas sobretudo na chamada "conquista do poder local" e na existência de um partido cujo nome era evitado e substituído pela denominação de "movimento comunista", onde, aliás, não devia haver lugar "para os homens cuja revolta os leva ao desajuste e ao afastamento da convivência social".
Em vez de um Partido revolucionário de massas, as teses preconizavam um Partido pacífico, bom para entendimentos e acordos eleitorais.
Um dos objetivos programáticos dessas teses, em circulação em São Paulo, era "uma reestruturação democrática da máquina administrativa dos órgãos judiciais e do aparelho policial".
As teses mencionadas contribuíam para desacreditar e deformar o Partido e eram ao mesmo tempo uma conseqüência disto.
A conferência estadual realizada em São Paulo reagiu contra as deformações e a influência ideológica da burguesia e rejeitou in totum aquelas teses oportunistas.
Ao invés de saldar a conferência e os seus resultados, a rejeição de semelhantes teses e a posição dos militantes elegendo quadros de sua confiança para a direção, ainda que — sem consultar a Executiva e sem levar em conta os seus veredictos — a Executiva descontenta-se e trata de agir em São Paulo, passando por cima da direção estadual.
Somente agora a Executiva chegou à conclusão de que precisa discutir o problema de São Paulo, depois que o Partido ali foi quase destruído e as teses da burguesia penetraram fundo.
Se é assim, que se apurem as responsabilidades, que se assinalem as causas que levam o Partido a perder suas bases nas empresas, porque não se realizava trabalho entre os camponeses e não se apoiava o esforço revolucionário dos estudantes, porque os intelectuais se distanciavam do Partido e porque eram preferidos os acordos e entendimentos eleitorais.
A causa principal dessas deformações está — segundo creio — na fraqueza teórica e ideológica da Executiva.
Foi isto que a levou a não ter vigilância de classe, a permitir que caíssem documentos na mão da polícia. A gravidade da questão não está apenas em nomes revelados, mas também em permitir — por inadvertência — a revelação à polícia de assuntos internos do Partido.
A verdade é que a Executiva está ausente no trato com o marxismo-leninismo, não escreve trabalhos teóricos, não generaliza a experiência da revolução, teme a publicação de livros e as idéias neles expostas, omite-se diante das questões fundamentais, preferindo a conciliação e o exercício do paternalismo.
É, para mim, doloroso escrever-lhes como o faço neste momento. Mas não seria de meu feitio deixar de dizer a vocês, perante o coletivo partidário e à opinião pública o que sinto realmente.
Não acredito que o individualismo ou a ação pessoal possa resolver todos esses problemas. As idéias é que desempenharam o papel decisivo. E somente elas encontraram eco.
A causa revolucionária brasileira, a libertação de nosso povo do julgo dos Estados Unidos, o empenho pela unidade do Partido em torno das idéias marxistas estão acima de qualquer acomodação, sobretudo quando o que mais se exige de nós, comunistas revolucionários marxistas-leninistas, é justamente a coragem de dizer e agir."
Carta à Comissão Executiva do Partido Comunista Brasileiro
Carlos Marighella
1 de Dezembro de 1966
domingo, 16 de outubro de 2016
15 de outubro - 29 anos da morte de Sankara.
"Quando temos uma arma que pode cuspir fogo e morte, e recebemos ordens perfilados em frente a uma bandeira, sem saber quem lucra com essas ordens, quem lucra com esse fuzil, então tornamo-nos criminosos em potencial que esperam apenas um clique para semear o terror ao redor de si.
Quantos militares são mandados para tal e tal país, ou para tais e tais campos de batalha, levando a desolação e o crime, mas sem compreender que eles são colocados em combate contra homens e mulheres que lutam pelos mesmos ideais que eles teriam se tivessem consciência.
Filhos de operários que veem os seus pais entrarem em greve contra regimes reacionários, mas que, uma vez que entram no exército, aceitam combater ao lado dos dirigentes reacionários, isso existe.
Portanto, um militar sem formação política, ideológica, é um criminoso em potencial."
Thomas Sankara.
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
El Descubrimiento.
El Descubrimiento: el 12 de octubre de 1492, América descubrió el capitalismo. Cristóbal Colón, financiado por los reyes de España y los banqueros de Génova, trajo la novedad a las islas del mar Caribe. En su diario del Descubrimiento, el almirante escribió 139 veces la palabra oro y 51 veces la palabra Dios o Nuestro Señor. Él no podía cansar los ojos de ver tanta lindeza en aquellas playas, y el 27 de noviembre profetizó: Tendrá toda la cristiandad negocio en ellas. Y en eso no se equivocó. Colón creyó que Haití era Japón y que Cuba era China, y creyó que los habitantes de China y Japón eran indios de la India; pero en eso no se equivocó.
Al cabo de cinco siglos de negocio de toda la cristiandad, ha sido aniquilada una tercera parte de las selvas americanas, está yerma mucha tierra que fue fértil y más de la mitad de la población come salteado. Los indios, víctimas del más gigantesco despojo de la historia universal, siguen sufriendo la usurpación de los últimos restos de sus tierras, y siguen condenados a la negación de su identidad diferente. Se les sigue prohibiendo vivir a su modo y manera, se les sigue negando el derecho de ser. Al principio, el saqueo y el otrocidio fueron ejecutados en nombre del Dios de los cielos. Ahora se cumplen en nombre del dios del Progreso. Sin embargo, en esa identidad prohibida y despreciada fulguran todavía algunas claves de otra América posible. América, ciega de racismo, no las ve.
Texto de: Galeano, Eduardo - "Ser como ellos y otros artículos". Siglo Veintiuno Editores, México, 1992.
domingo, 9 de outubro de 2016
El Che vive!
"En Cuba la revolución la hizo el '26 de julio': Fidel con su puñado de locos como yo, no los ideólogos del comunismo."
Ernesto "Che" Guevara de la Serna (14 de julho de 1928 - 9 de outubro de 1967)
terça-feira, 20 de setembro de 2016
Protesta Gaucha.
![]() |
| Rodolfo Ramos - Gaucho. |
Con la frente descubierta
la melena negra y lacia
traigo la gloria y la gracia
de un criollo que se despierta
vengo a golpearle la puerta
al congreso americano
que desde tiempo lejano
tiene una deuda sagrada
y he venido con la espada
de la justicia en la mano.
Vengo a reclamar lo mío
que por bueno me han quitado
quedando tan despilchado
que casi he muerto de frío.
Vengo con odio y con brío
hastiao del tiempo sufrido
razonable y convencido
que aunque es pueblera la cancha
he de ganar la revancha
si no es tramposo el partido.
Yo les quiero preguntar
a esos grandes mandatarios
que charlan como rosario
cuando quieren conquistar.
¿Qué es lo que hacen con cambiar
de costumbre en la nación?,
con esa preparación
que ante el progreso se abraza
ultimarán a mi raza
matando la tradición.
Y a causa de esas razones
del progreso Americano
le van sacando al paisano
los últimos patacones.
Lo llenan de obligaciones
siempre hay algo que pagar
por guías, por señalar,
por campos, marcas y sellos
y hasta pagarles a ellos
para que aprendan a hablar.
Nos quitaron las haciendas
a medias con el pulpero
después la lana y el cuero
caballos, matras y priendas.
Y en medio de sus enmiendas
queriendo de mejorar
no se fijan que al pasar
sobre La Pampa querida
llora una raza vencida
sin patria, pilcha ni hogar.
domingo, 11 de setembro de 2016
A tribo amazônica que não usa o conceito de números.
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| Foto: Edward Gibson/BBC. |
Imagine viver em uma sociedade que não só não tem palavras para designar números, mas onde o próprio conceito de números é inexistente.
Ou seja, uma cultura onde ”um”, ”dois” ou “três” simplesmente não existem.
Assim vive o povo Pirahã, uma tribo seminômade que habita o vale do rio Maici, na fronteira entre os Estados do Amazonas e Rondônia, no norte do Brasil.
A língua falada pela tribo, o idioma pirahã, não possui palavras que sejam usadas para contar.
"Eles estão tão afastados da sociedade industrializada moderna quanto se pode imaginar”, disse Daniel Everett, pesquisador da Bentley University, em Massachusetts, Estados Unidos.
Everett morou com os Pirahã como missionário e, depois, como pesquisador no campo da linguística.
Durante o período de convivência com a tribo, desenvolveu um interesse especial pela questão dos números – ou melhor, a ausência deles – na cultura desse povo.
Anteriormente, especialistas achavam que os Pirahã tinham conceitos para “um”, “dois” e “muitos”, algo que não é incomum em culturas desse tipo.
Mas à medida que Everett investigava de forma mais sistemática, ia se dando conta de que esses indivíduos simplesmente não faziam contas precisas.
"Ficou claro que não tinham nenhum tipo de número”, disse o pesquisador à BBC.
Muito e pouco
Everett teve sua primeira suspeita quando observou a tribo repartindo o peixe.
"Se alguém chegava com três peixes, dois muito pequenos e um grande, o grupo se referia ao peixe grande com a palavra que eu julgava significar 'dois'. Para indicar os dois peixes pequenos, diziam uma palavra que eu achava significar 'um'”.
Isto fez com que ele se desse conta de que, na realidade, os Pirahã se referem a quantidades relativas – e não precisas.
Everett teve sua hipótese confirmada após convidar o psicólogo cognitivo Ted Gibson para visitar a comunidade Pirahã. Gibson, que trabalha no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, fez um experimento simples.
"Tínhamos bobinas de fio idênticas e fomos colocando-as em frente a eles, uma a uma”, explicou Gibson à BBC.
Gibson e Everett foram adicionando os objetos até somarem-se dez bobinas.
"Pusemos uma bobina e perguntamos a eles o que era aquilo. Eles responderam com uma palavra. Depois, colocamos mais uma e repetimos a pergunta. A resposta foi a mesma”, contou Gibson.
“Cada pessoa dizia as mesmas palavras para quantificar os objetos – as que pensávamos ser 'um' e 'dois'.”
Então, Gibson inverteu o experimento, começando com dez bobinas e retirando uma por vez.
"Quando tínhamos sete (bobinas), os índios começavam a usar a palavra que achávamos ser 'dois'. E quando chegávamos a quatro bobinas, todos começavam a usar a palavra que pensávamos ser 'um'.”
Assim, os especialistas perceberam que os Pirahã não estavam contando mas, sim, que os termos indicavam quantidades relativas de acordo com o contexto, que pode ser muito ou pouco.
Ou seja, se você tinha dez bobinas e passa a ter cinco, dez bobinas são muito e cinco são pouco. Mas se você começa com uma bobina e termina com cinco, então cinco passa a ser muito.
"Assim, os termos que a tribo possui indicam 'pouco', 'alguns' e 'muitos'. Todos relativos”, acrescentou o especialista.
Mundo sem números
No entanto, como pode uma comunidade sobreviver sem as palavras para 1, 2 e 3? Como você diz, por exemplo, que precisa de três peixes para o jantar?
"Na verdade, pode-se chegar muito longe sem números em uma sociedade tribal como a dos Pirahã”, respondeu Everett.
“Vamos dizer que você quer dividir a comida. (Eles) simplesmente se sentam em volta (do alimento). Você tem a pessoa que corta o animal em pedaços e vai em círculo distribuindo cada pedaço até que terminem. É um tipo de divisão sem números”, explicou.
De acordo com o especialista, trata-se de dividir sem números, compartilhar constantemente, sem prestar atenção ao que você ganhou. ”E o escambo é praticamente inexistente”, disse Everett.
"(Nessa sociedade) não há a necessidade (de se contar com precisão). Encontrei pirahãs que foram sequestrados, ainda pequenos, por comerciantes que navegam pelo rio. Foram criados fora da tribo e agora trabalham em lojas, falam português fluente e fazem cálculos matemáticos.”
"Então, não tem nada a ver com a habilidade cognitiva, é simplesmente uma questão cultural”, acrescentou.
A existência de uma cultura que só tem conceitos para "pouco", "alguns" e "muito" é importante para determinar como os humanos em geral aprendem números.
"Eles (os Pirahã) demonstram que as palavras para contar não são inatas, são um conceito que temos de descobrir e que ensinamos aos mais jovens.”
Daniel Everett e Ted Gibson (@LanguageMIT) contaram sua experiência com o povo Pirahã ao programa de rádio Discovery, do BBC World Service. O programa foi apresentado por Alex Bellos e produzido por Andrew Luck-Baker.
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
Kim Il-sung e o anticolonialismo.
" Ásia, África e América Latina constituem 71% da superfície da terra. Nelas habitam mais do que dois terços da população mundial e existem inesgotáveis riquezas. O imperialismo cresceu e engordou sugando o sangue e o suor desses povos e saqueando suas riquezas. Hoje em dia também o imperialismo extrai cada ano ganhos de dezenas de bilhões de dólares dessas regiões. Se o velho colonialismo na Ásia, África e América Latina for eliminado, nem a Europa ocidental imperialista, nem os Estados Unidos imperialista poderão seguir existindo.
A luta anti-imperialista e anticolonialista dos povos da Ásia, África e América Latina é uma sagrada luta de libertação de centenas de milhões de seres humanos oprimidos e explorados, e ao mesmo tempo uma grande luta dirigida a cortar do imperialismo mundial essa linha de vida. Esta luta constitui, junto com a luta revolucionária da classe operária pelo socialismo, as duas grandes forças revolucionárias de nossa época, as quais se uniram formando uma só corrente que sepulta o imperialismo."
Kim Il-sung, revolucionário e fundador da República Popular Democrática da Coréia.
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