terça-feira, 20 de setembro de 2016

Protesta Gaucha.

Rodolfo Ramos - Gaucho.


Con la frente descubierta 
la melena negra y lacia
traigo la gloria y la gracia
de un criollo que se despierta
vengo a golpearle la puerta
al congreso americano
que desde tiempo lejano 
tiene una deuda sagrada 
y he venido con la espada
de la justicia en la mano.

Vengo a reclamar lo mío
que por bueno me han quitado
quedando tan despilchado
que casi he muerto de frío.
Vengo con odio y con brío
hastiao del tiempo sufrido
razonable y convencido
que aunque es pueblera la cancha
he de ganar la revancha 
si no es tramposo el partido.

Yo les quiero preguntar 
a esos grandes mandatarios
que charlan como rosario
cuando quieren conquistar.
¿Qué es lo que hacen con cambiar
de costumbre en la nación?,
con esa preparación
que ante el progreso se abraza
ultimarán a mi raza 
matando la tradición. 

Y a causa de esas razones
del progreso Americano
le van sacando al paisano
los últimos patacones.
Lo llenan de obligaciones
siempre hay algo que pagar
por guías, por señalar,
por campos, marcas y sellos
y hasta pagarles a ellos 
para que aprendan a hablar.

Nos quitaron las haciendas
a medias con el pulpero
después la lana y el cuero 
caballos, matras y priendas.
Y en medio de sus enmiendas
queriendo de mejorar
no se fijan que al pasar
sobre La Pampa querida
llora una raza vencida
sin patria, pilcha ni hogar.

domingo, 11 de setembro de 2016

A tribo amazônica que não usa o conceito de números.

Foto: Edward Gibson/BBC.

Imagine viver em uma sociedade que não só não tem palavras para designar números, mas onde o próprio conceito de números é inexistente.
Ou seja, uma cultura onde ”um”, ”dois” ou “três” simplesmente não existem.
Assim vive o povo Pirahã, uma tribo seminômade que habita o vale do rio Maici, na fronteira entre os Estados do Amazonas e Rondônia, no norte do Brasil.
A língua falada pela tribo, o idioma pirahã, não possui palavras que sejam usadas para contar.
"Eles estão tão afastados da sociedade industrializada moderna quanto se pode imaginar”, disse Daniel Everett, pesquisador da Bentley University, em Massachusetts, Estados Unidos.
Everett morou com os Pirahã como missionário e, depois, como pesquisador no campo da linguística.
Durante o período de convivência com a tribo, desenvolveu um interesse especial pela questão dos números – ou melhor, a ausência deles – na cultura desse povo.
Anteriormente, especialistas achavam que os Pirahã tinham conceitos para “um”, “dois” e “muitos”, algo que não é incomum em culturas desse tipo.
Mas à medida que Everett investigava de forma mais sistemática, ia se dando conta de que esses indivíduos simplesmente não faziam contas precisas.
"Ficou claro que não tinham nenhum tipo de número”, disse o pesquisador à BBC.

Muito e pouco

Everett teve sua primeira suspeita quando observou a tribo repartindo o peixe.
"Se alguém chegava com três peixes, dois muito pequenos e um grande, o grupo se referia ao peixe grande com a palavra que eu julgava significar 'dois'. Para indicar os dois peixes pequenos, diziam uma palavra que eu achava significar 'um'”.
Isto fez com que ele se desse conta de que, na realidade, os Pirahã se referem a quantidades relativas – e não precisas.
Everett teve sua hipótese confirmada após convidar o psicólogo cognitivo Ted Gibson para visitar a comunidade Pirahã. Gibson, que trabalha no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, fez um experimento simples.
"Tínhamos bobinas de fio idênticas e fomos colocando-as em frente a eles, uma a uma”, explicou Gibson à BBC.
Gibson e Everett foram adicionando os objetos até somarem-se dez bobinas.
"Pusemos uma bobina e perguntamos a eles o que era aquilo. Eles responderam com uma palavra. Depois, colocamos mais uma e repetimos a pergunta. A resposta foi a mesma”, contou Gibson.
“Cada pessoa dizia as mesmas palavras para quantificar os objetos – as que pensávamos ser 'um' e 'dois'.”
Então, Gibson inverteu o experimento, começando com dez bobinas e retirando uma por vez.
"Quando tínhamos sete (bobinas), os índios começavam a usar a palavra que achávamos ser 'dois'. E quando chegávamos a quatro bobinas, todos começavam a usar a palavra que pensávamos ser 'um'.”
Assim, os especialistas perceberam que os Pirahã não estavam contando mas, sim, que os termos indicavam quantidades relativas de acordo com o contexto, que pode ser muito ou pouco.
Ou seja, se você tinha dez bobinas e passa a ter cinco, dez bobinas são muito e cinco são pouco. Mas se você começa com uma bobina e termina com cinco, então cinco passa a ser muito.
"Assim, os termos que a tribo possui indicam 'pouco', 'alguns' e 'muitos'. Todos relativos”, acrescentou o especialista.

Mundo sem números


No entanto, como pode uma comunidade sobreviver sem as palavras para 1, 2 e 3? Como você diz, por exemplo, que precisa de três peixes para o jantar?
"Na verdade, pode-se chegar muito longe sem números em uma sociedade tribal como a dos Pirahã”, respondeu Everett.
“Vamos dizer que você quer dividir a comida. (Eles) simplesmente se sentam em volta (do alimento). Você tem a pessoa que corta o animal em pedaços e vai em círculo distribuindo cada pedaço até que terminem. É um tipo de divisão sem números”, explicou.
De acordo com o especialista, trata-se de dividir sem números, compartilhar constantemente, sem prestar atenção ao que você ganhou. ”E o escambo é praticamente inexistente”, disse Everett.
"(Nessa sociedade) não há a necessidade (de se contar com precisão). Encontrei pirahãs que foram sequestrados, ainda pequenos, por comerciantes que navegam pelo rio. Foram criados fora da tribo e agora trabalham em lojas, falam português fluente e fazem cálculos matemáticos.”
"Então, não tem nada a ver com a habilidade cognitiva, é simplesmente uma questão cultural”, acrescentou.
A existência de uma cultura que só tem conceitos para "pouco", "alguns" e "muito" é importante para determinar como os humanos em geral aprendem números.
"Eles (os Pirahã) demonstram que as palavras para contar não são inatas, são um conceito que temos de descobrir e que ensinamos aos mais jovens.”
Daniel Everett e Ted Gibson (@LanguageMIT) contaram sua experiência com o povo Pirahã ao programa de rádio Discovery, do BBC World Service. O programa foi apresentado por Alex Bellos e produzido por Andrew Luck-Baker.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Kim Il-sung e o anticolonialismo.



" Ásia, África e América Latina constituem 71% da superfície da terra. Nelas habitam mais do que dois terços da população mundial e existem inesgotáveis riquezas. O imperialismo cresceu e engordou sugando o sangue e o suor desses povos e saqueando suas riquezas. Hoje em dia também o imperialismo extrai cada ano ganhos de dezenas de bilhões de dólares dessas regiões. Se o velho colonialismo na Ásia, África e América Latina for eliminado, nem a Europa ocidental imperialista, nem os Estados Unidos imperialista poderão seguir existindo.
A luta anti-imperialista e anticolonialista dos povos da Ásia, África e América Latina é uma sagrada luta de libertação de centenas de milhões de seres humanos oprimidos e explorados, e ao mesmo tempo uma grande luta dirigida a cortar do imperialismo mundial essa linha de vida. Esta luta constitui, junto com a luta revolucionária da classe operária pelo socialismo, as duas grandes forças revolucionárias de nossa época, as quais se uniram formando uma só corrente que sepulta o imperialismo."

Kim Il-sung, revolucionário e fundador da República Popular Democrática da Coréia.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A mediocridade de uma classe.



Confesso a todos aqui que nunca dei muita atenção para as eleições burguesas, afinal de contas, são as eleições burguesas a forma mais eficiente de manutenção da democracia burguesa - Que apesar do nome é nada mais do que uma ditadura de uma classe sobre outra, como em qualquer forma de estado. Nesse caso, temos o estado burguês, o instrumento que garante a manutenção da ditadura da burguesia sobre a classe trabalhadora.
Nas eleições burguesas os partidos, quaisquer que sejam são usados como roupas por grandes grupos capitalistas, que financiam suas campanhas em troca de retornos e facilitações após a eleição do candidato "X" ou "Y". Nesse sentido (quase) nenhum dos partidos que disputam as já supracitadas eleições burguesas se diferenciam.

Porém, devemos ser conscientes que equiparar os partidos burgueses como se fossem todos farinha do mesmo saco, ignorando as demandas populares que visam atender e toda a gama do espectro político onde se encontram é de uma burrice admirável.

Foi analisando essa última questão que parei para pensar no grave momento em que o país está vivendo e no qual a América Latina se encontra. Vivemos tempos onde as forças mais conservadoras e até reacionárias da sociedade saíram das catacumbas para entrar numa guerra midiática e física contra toda e qualquer pauta que possa ser vista como minimamente progressista. No Brasil um golpe de estado parlamentar (organizado por potências estrangeiras) colocou no poder o ranço oligárquico mais viscoso, sujo, antinacional, antipopular e reacionário. A campanha midiática pró-golpe foi intensiva e essencial para que o mesmo se realizasse. E quando falamos em campanha midiática, quase que obrigatoriamente temos a classe média por trás, que se coloca numa posição onde apenas repete o discurso que escuta na mídia sem nem ao menos entender o que está dizendo, tal qual um papagaio de pirata. Compram gato por lebre, acreditam que por reproduzirem o discurso antipopular apresentado pela mídia se darão bem, afinal não fazem parte do "povão". É assim que a classe média se vê, como uma extensão da elite (sic) E por isso aposta no que considera ser um projeto de combate ao "populismo".

Eu vejo como esse fenômeno, que acontece entre a classe média, demonstra claramente como no Brasil a educação é pobre, até mesmo para a supracitada. As razões que considero para concluir isso são:

- A crença que um governo declaradamente de direita beneficiaria a classe média é um engano grotesco. Um governo de direita vai priorizar a elite oligárquica, as corporações, o dinheiro onde ele é mais concentrado. A classe média é enganada com imagens e percepções grosseiras que fazem crer no sonho de subir para a elite. Acreditar que FIESP (um dos principais expoentes do golpe) uma entidade que quer passar por cima de direitos trabalhistas em nome da "eficiência do mercado" (sic) vai realmente se importar com o que acontece com a classe média? Pois é, qualquer pessoa com um mínimo de estudo e bom senso sabe que isso é uma possibilidade ínfima, e a tendência do governo altera essas probabilidades de forma irrelevante. O que acontece é um aprofundamento das diferenças sociais, pois a elite se expande ao custo do decaimento da própria classe média. Resumindo, fica parecido com a Mega Sena: apostam os direitos de toda a população numa possibilidade ridiculamente pequena para beneficiarem apenas a si mesmos, pagam o preço caso não ganhem e continuam cometendo o mesmo erro.

- Outra questão é o envolvimento de credos e crenças para a opção de um candidato, sendo que o estado deveria ser laico. Um estado laico é justo para com todas as religiões (ou a ausência de qualquer uma delas). A direita explora essa questão pois sabe que a baixa educação do população faz com que a mesma centre suas preferências e conceitos em cima de religiões, vide o exemplo da tal "bancada evangélica". A utilização de emoções e mecanismos de defesa emocional - e não conhecimentos, experiências e lógica.

- Um outro ponto muito importante é a utilização de uma moral intangível, representada por elementos vindos do cerne de organizações burguesas, como militares, maçons, pastores evangélicos. A classe média sente a necessidade de ser representada por figuras paternalistas vindas de organizações que aos olhos da classe média são exemplos de moralidade como se fosse imaculados, que em nome de uma suposta segurança pública utilizam-se de uma retórica conservadora para atacar toda uma parcela menos privilegiada da sociedade. Não é a toa que figuras patéticas como Coronel Telhada, Major Olímpio dentre outros exemplos sejam eleitos com grande quantidades de votos para dar voz a toda uma classe.

É por tudo isso que acredito que a baixa qualidade da educação num todo fundamenta-se em um aspecto: o foco da mesma.
A classe média educa seus filhos para passarem em vestibulares e arrumarem "bons empregos" E isso tem relação com a forma que a educação está estruturada no país.

Quando o foco do estudo é a cidadania e o conhecimento, o pensamento crítico e as escolhas políticas são melhor fundamentadas pois são feitas de forma consciente. Um exemplo de como uma educação de qualidade, cidadã e que fomente o pensamento crítico é perigosa aos donos do poder (burguesia) seria o que o PSDB fez com o ensino público em São Paulo, adotando a progressão continuada, remunerando pessimamente os professores (e quase metade deles são temporários), aparelhando mal as escolas. Isso apodrece o ensino público, impossibilitando a ascensão da classe trabalhadora e a consequente derrubada das oligarquias presentes no poder, eleitas por pessoas de classe média que se consideram estudadas e conscientes, mas na verdade são tão sabidas quanto cones de trânsito. É por isso que uma das principais pautas da direita reacionária no país hoje é o famigerado projeto "Escola sem partido" Utilizado para atacar o que chamam "marxismo cultural" (sic) que é segundo eles não apenas lecionado, mas doutrinado nas escolas de todo o país. Faltou avisar a esses imbecis que os alunos saem do ensino médio sem saber o que são as classes sociais e qual o papel das classes na sociedade, sem saber o que é a mais-valia, sem saber o que é o materialismo histórico e dialético dentre outros conceitos básicos marxistas. Não é por acaso que um dos lemas das tropas fascistas espanholas durante a Guerra Civil (1936-1939) era a de "¡Muera la inteligencia!". Um exemplo mais que concreto que prova como uma educação de qualidade é perigosa a burguesia.